Psicologia é diversidade!

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Instituto de Psicologia Departamento de Psicologia Social e Institucional Profa. Dra. Rosane Neves Alunas: Ana Paula Lonardi de Souza e Celinha Monteiro Psicologia e Direitos Humanos “A psicologia quer aproveitar suas competências e se tornar acessível ao povo que está nas ruas, junto aos povos da terra, ao lado da homo- afetividade, das crianças em situação de risco, com as populações em restrição de liberdade, com as pessoas aprisionadas; quer fortalecer a luta antimanicomial, discutir mídia e subjetividade para lutar pela democratização das comunicações, falar de informática e humanidade e almejar um mundo melhor sem grades...” Jornal do CFP – Ano XIX n. 85 – outubro 2006 Advinda da ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada em resposta às atrocidades cometidas nos campos de concentração da Europa. Dela advêm, juntamente, o caráter universal em sua concepção de sujeito. Mas como pensarmos os Direitos Humanos em seu âmbito internacional sem sermos prescritivos e invasores? Como contemplar as diferenças culturais não só em diferentes continentes, mas até mesmo em um só país ou nação? Além disso, como não cairmos na cilada do relativismo cultural absoluto? Como estabelecermos direitos humanos respeitando as heranças culturais? A concepção de sujeito universal permeou durante longos tempos os diferentes campos do saber, e se pensarmos nos Direitos Humanos, a situação não era tão diferente. Podemos, como exemplo disso, pensar como se deu a construção do estado Moderno que, tem por base os princípios de igualdade de direitos para todos... “Como se todos nós tivéssemos as mesmas chances, ou oportunidades, para a mobilidade social e como se todos nós fôssemos iguais, ou seja, como se entre nós, homens e mulheres, negros e brancos, não existisse nenhuma diferença social, cultural, econômica, racial ou sexual”. Neusa Maria Guareschi, presidente do CRP-RS As práticas da Psicologia como ciência, por muito tempo voltadas para a concepção universal do sujeito, hoje, dentro e fora do sistema conselhos, têm sido discutidas a respeito de sua relativização, pois, se não pensarmos as questões das diferenças culturais, políticas, sexuais, sociais, étnicas, religiosas ou geográficas, isto é, a diversidade de possibilidades de expressão do sujeito, tomamos a Psicologia numa perspectiva essencialista e biológica que pode ser perpetuada através dos tempos. Assim, hoje tentamos partir de uma concepção individual e universal para a valorização das diferenças sociais, culturais, econômicas, étnicas, sexuais, entre tantas outras que compõem a diversidade de nosso campos de atuação. E não precisamos ir muito longe para abranger contrastes continentais. Num país como o Brasil, onde temos tamanha diversidade de heranças étnicas e condições socioeconômicas, é imprescindível a valorização da diferença. Entendemos que as identidades se constroem através das marcas da diferença, por meios que vão desde sistemas simbólicos de diferenciação a situações de exclusão social. Nesse contexto, não contemplar as diferenças torna-se uma prática selvagem. Dessa forma, no momento em que a psicologia toma o sujeito com uma concepção essencialista, ela nega suas diferenças e o entende, o classifica de acordo com os conceitos teóricos e normas sociais universais e, é assim, também com essa concepção que ela se integra ao trabalho junto aos Direitos Humanos, aqui já não mais tão humanas.

3 comentários:

Unknown disse...

Legal... Ótimo conteúdo

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Legal. Bem interessante!

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